sábado, 21 de janeiro de 2017

A vida em palavras

Transformando pequenos acontecimentos corriqueiros em textos no meu blog ou no Facebook, observei o quanto as pessoas são carentes de informação. Não que falte orientação. Falta vontade de ler. Faltam instrumentos que prendam o leitor. Passei então a escrever textos informativos de uma maneira leve, descontraída, sem a chatice do juridiquês. 

Esta obra (Editora Multifoco, 191 páginas) fala sobre divórcio, alimentos, indenizações, segurança pública, animais de estimação, difamação e outras repercussões legais de nossos atos e palavras. Leveza e bom humor são características da maioria dos textos, que remetem sempre ao leitor como ator principal das consequências jurídicas das situações em que se envolve. 

Uma conversa no supermercado, um tombo diante do bofe que te elogiou, uma reunião de condomínio, um animal abandonado, uma paquera num site de relacionamentos, tudo acaba em informação jurídica ou em boas risadas. Algumas vezes, nas duas coisas: informação jurídica com boas risadas. É a proposta desta obra: dar às pessoas motivos para sorrir, oferecendo informações para o exercício de direitos ou mostrando a necessidade de cumprimento de deveres. 

Mas nem só de leis se vive e escrevo também reflexões sobre o que percebo no dia a dia. Às vezes com humor, outras vezes com indignação, traduzo a vida em palavras. Neste livro estão reunidos textos publicados semanalmente na coluna do Projeto Alo Doutora, além de outros inéditos. Gosto de escrever. E gosto do que escrevo. Espero que você goste também. 


Preço: R$ 52,00

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Não faça o que eu falo, rs

Acho que já postei no Facebook, mas não encontrei aqui, uma história antiga, da qual lembrei hoje e fiquei rindo sozinha na rua.
Tinha um aluno na ABVMG, que todos chamavam de "Neguinho". E eu:
- Não deixe te chamarem assim, seu nome é "Edir".
- Mas é feio, fessôra.
-  Mas é seu nome.
E por todo o curso eu ficava "Edir" pra lá, "Edir" pra cá, ignorando solenemente todos os protestos dele:
- É "Neguim", fessôra...
.
Meses após o fim do curso, ele precisa de uma advogada e me liga:
- Oi, fessôra, é o Edir.
Eu:
- Quem?
- O Edir, fessôra?
- Que Edir?
- O Neguim!
- Ahhhhh, Neguim, pq ocê num falou logo...
.
rsrsrsrs

Equilíbrio

Ontem fui lá naques cafundó de Santluzia, buscar um documento.
Enquanto esperava o ônibus, impaciente e sem música para fazer coreografia, fiquei brincando de equilibrar no meio-fio. Ia pra lá e pra cá, equilibrando sem poder pisar no passeio ou no asfalto. Observei que quando olhava para o meu pé, perdia o equilíbrio. O mesmo acontecia quando eu mirava um ponto muito a frente. Mas se eu fixasse os olhos em cerca de 1 metro e meio adiante dos meus pés, equilibrava sem dificuldades.
E pensei que a vida é assim mesmo: se vc foca só onde está, a coisa não vai pra frente; se vc mira muito além, perde o foco... O lance é o meio termo, sempre.
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postado no Facebook, em 10/09/2013

Adeus!

Não dá mais! Chega!
Vou sentir sua falta, claro, foram muitos momentos partilhados. Mas não quero mais! Vou aprender a viver sem vc.
Ainda que me faça mulher de verdade, e adoro me sentir mulher de verdade, vc me incomoda, me priva de muita coisa, chega mesmo a comandar minhas ações quando está comigo. Quero isso não!
No último mês, vc não saiu do meu pé. Tolerei! Tentei alguns subterfúgios para te afastar, mesmo temporariamente, mas durava pouco, em poucas horas vc voltava com a força toda. Foram 33 dias de domínio absoluto seu sobre mim.
Procurei ajuda especializada, pois não anda normal essa nossa relação. E conversando com minha médica, ela me convenceu que não preciso de vc pra ser feliz, pra ser mulher. Então decidi: nunca mais vou menstruar.
ADEUS, MENSTRUAÇÃO FILHA DA PUTA!!!

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postado no Facebook, em 13/09/2013

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Mamãe faz melhor

E enfim, passei no árabe que queria tomar meu dinheiro e o dito cujo meu encheu de comida do Marrocos: salada, berinjela, pasta, pão, torrada.
Vim pra casa, numa felicidade louca.
Aí chega meu namorado MARROQUINO olha a mesa posta e pergunta:
- Que ser isso???
- Como assim "o que é isso?", é comida marroquina, amor!
- Comida marroquina da onde?
- Dãããã, do Marrocos!
- Não é não!
- É sim!
- Vc saber mais que eu, então?! Só esse berinjela que parece com o que faz lá...
Vendo minha decepção ele elogiou a mesa, disse que mesmo não sendo da terra dele, comida árabe é tudo "delícia" (ele não fala "gostoso", ele fala "delícia") e que deveríamos saborear.
Comeu, comeu, comeu e quando ele saboreava a berinjela assada que eu amei, perguntei:
- Gostou, meu bem?
Ele:
- Meu mamãe faz melhor!

É tudo cartão, uai

Aí vc corre pro supermercado fazer a compra do mês e depois de tudo acomodado com muito sacrifício num carrinho só, pronto pra levar pra casa, vc estica a mão pra entregar o cartão pra pagamento e a atendente fica te olhando com aquela cara de bunda típica delas. Vc com o cartão na mão e o braço esticado e a atendente te olhando. Vc balança o cartão na cara dela e diz "oooow!", quando vem a informação estarrecedora:
- Senhora, cartão BHBUS não é aceito em supermercados.
Soltei aquele "hã?" já sentindo um frio na espinha e constato: levei o cartão de ônibus.
- Puta que pariu, moça, eu trouxe o cartão errado!!!
- Vamos ter que cancelar sua compra, senhora!
- Não, pelamordedeus! Eu moro aqui pertinho!
- Sinto muito, senhora!
.
Vim buscar o cartão e já to voltando lá.
Antes, coloquei umas gostas de arsênico no bombom que vou oferecer à moça, pela gentileza de ter guardado meu carrinho. 

(Publicado no Facebook, em 07/09/2013)

Embório Zírio

- Embório Zírio, boa darde!
- Boa tarde! Vcs têm pratos marroquinos também?
- Si, a comida árabe dambém é marroquina.
- É que meu namorado é marroquino e eu quero comprar algo bem específico.
- Ah, sim! Bode vir, dem muito coisa pra ele. Vocês vão gosdar buido!
- Ok. Vou passar aí hoje no final da tarde então.
- Isso, isso, benha e draga buido dinheiro gue nós vai tomar ele dodo.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Defnitivamente vcs têm razão: só comigo que acontece umas merdas dessa.
(publicado no Facebook, em 06/09/2013)

Falsidade

Eis que estou na fila do sacolão e o dito cujo me pisa encima do dedo mindinho do pé direito. O mesmo que foi estraçalhado sexta passada. O mesmo que dói há exatos 7 dias. O dedo mindinho do pé direito que tem me feito sofrer tanto.
- Desculpa, moça!
- Desculpa uma porra! Filho da puta! Vai pisar no toba da sua mãe! Esse meu dedo tá quase quebrado, vagabundo! Vc acabou de acabar com minha vida! Já tava doendo agora tá doendo ao quadrado! Excomungado! Filho de uma ronca e fuça! Pererecudo! Bicha!
Só que não!!! Falei nada disso!
Olhei pra carinha linda do moço todo sem graça ao ver minha careta de dor e, pensando em tudo que falei encima, respondi:
- Tudo bem, foi nada não...
 — se sentindo falsa.
(publicado no Facebook, em 05/09/2013)

Indenização

E mais um bom dia pra vc, que depois de ouvir uma anta dizendo "integralidade física", escuta na reportagem seguinte um professor dizer que vai processar o Estado por estar urinando sangue após ter sido espancado por aluno. 
Ele não vai processar a família do delinquente. Vai processo o Estado. ESTADO = eu, você, nós, vamos pagar a porra da indenização, porque as mães, essas filhas da puta que insistem não ver os psicopatas que criam, não comem suas crias ao nascer, como fazem algumas cadelas que conheço.
E vcs marcando manifestação em que vão exigir mais ética na política.
Ah, vá!!!
(publicado no Facebook, em 04/09/2013)

Integra... integri...

Bom dia pra vc que acordou com entrevista em que o Presidente do Sindicato dos Servidores do Município de Belo Horizonte reclama que seus representados estão preocupados com sua INTEGRALIDADE física, após ocorrência de incêndio criminoso em uma das unidades da Prefeitura.
PRESIDENTE de Sindicado... INTEGRALIDADE física... Isso nem é qualidade de ensino é falta de leitura. Essa anta não lê jornal, não ouve rádio. São nossos sindicatos...

(publicado no Facebook, em 04/09/2013)